O PODER ADOECEDOR DA IGREJA

O PODER ADOECEDOR DA IGREJA

Por Fabrício de Souza Ferreira

 Quando falamos sobre igreja (no sentido de templo, comunidade), vem a nossa mente a ideia de um lugar onde se reúnem pessoas santificadas; um lugar onde podemos, por alguns momentos, fugir da realidade dura e cruel do mundo que nos cerca; um  lugar onde Deus determina a sua bênção e, através do Seu Espírito, comunga conosco e gera vida em nós, nos dando sentido à vida.

Mas, infelizmente, há uma outra face na igreja (no sentido religiosidade/dogmas) que se revela como antagonista da primeira.  Ao invés de produzir vida, produz morte em nome de Deus; ao invés de gerar frutos, seca os poucos que ainda tinha; que ao invés de trazer sentido à vida, traz confusão e angústia. É dessa igreja que eu quero falar.

Vou citar abaixo algumas características dessa outra face da igreja que certamente muitos de vocês vão se identificar também:

 

Afastamento da família e dos amigos “mundanos”:

Aprendi que devemos manter distância dos “impuros”, pois eles não são como nós. Isso inclui nossa família e nossos amigos íntimos que não são cristãos.

Parece que em um período da minha vida estive em outro planeta. Há uma lacuna nas minhas lembranças dos momentos que passei com a minha família nesse período.

A Palavra diz em I Tm 5:8: “Mas, se alguém não cuida dos seus, e PRINCIPALMENTE dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.”. Para a igreja e para mim mesmo, eu estava me santificando para Deus. Para Deus, eu estava sendo pior do que um infiel.

O que dizer dos amigos “mundanos”? Usamos até a o Salmo 1 para dar crédito a nossa ignorância. Fui recuperar contato com esses amigos há pouco tempo. Meu desejo é pedir-lhes desculpas e dizer que não sou digno sua amizade. Na verdade, nós, como igreja, devemos estar mais próximos ainda, para que através do Espírito que habita em nós possam alcançar a salvação.

 

Preconceito e intolerância a flor da pele:

Um dia desses, eu estava me recordando de como fui preconceituoso e intolerante com os que são diferentes de mim.

Trabalhei e estudei com alguns homossexuais. Não concordava com a vida que eles levavam, bem como expunha isso para todos ao redor. Quantos excluí das minhas redes sociais, quantos fiz passar vergonha na frente dos outros ou na internet. Eu fui um completo idiota! Um dia quero ter a oportunidade de me desculpar pessoalmente com todos e dizer que minhas atitudes não tiveram nada de cristão. Independente do que eu acho sobre o comportamento deles, não tenho o direto de torná-los inferiores a mim, porque não são.

Isso se encaixa também nos pertencentes às religiões de origem africana. Eu passava a imagem de quem servia a um deus intolerante e preconceituoso.  Esse é o deus de muitas igrejas; é pregado na igreja que se diz cristã. Porém, ele é o oposto de Jesus – O Redentor da humanidade.

 

Viver sob o domínio do medo:

Outra característica de quem vive sob o domínio da religião é o medo.  Medo de ir pro inferno, medo de seus pecados serem expostos perante todos, medo de magoar a Deus por qualquer coisinha…

Achamos que somos o povo mais feliz da terra, no entanto vivemos como se tivéssemos uma arma engatilhada e apontada para nossa cabeça. O deus da outra face da igreja está pronto para ver um deslize nosso e nos detonar. Vamos à igreja por medo de não sermos aceitos. Ofertamos e dizimamos por medo de que venha uma praga divina sobre nossas finanças. Vivemos no limite entre o pode e o não pode! Recebemos uma lista de dogmas a serem seguidos, sem que os  que a criaram consigam cumpri-la. Enquanto a Bíblia diz que o perfeito amor lança fora todo medo, e que se o Filho nos libertar verdadeiramente seremos livres, a igreja nos aprisiona no medo. E é isso que o medo faz: aprisiona, limita!

 

Uma visão limitada sobre tudo:

O pior dos males que essa face oculta da igreja pode nos acometer é a incapacidade de romper limites, ou seja, vivermos fora da “caixa”.

Na verdade, perdi tempo na minha vida rejeitando preciosidades da música, da literatura, das artes; pela ignorância de achar que não eram de Deus. Achava que aquilo que acontecia fora do meio evangélico (“caixa”) não prestava e “emburrecí” dia após dia. Hoje aprendi a viver com os meus questionamentos; aliás, eles que me movem agora!

Não há meio termo entre a face da Igreja de Cristo e a outra face da igreja, ambas falam em nome de Deus e podem habitar até sob as mesmas quatro paredes. Todavia, são antagônicas e estão em lados opostos. Produzem frutos diferentes: uma frutos para salvação e a outra para destruição.

 

A religiosidade aprisiona, limita, discrimina, amedronta, mata.

Jesus liberta, abre a visão, unifica,  apascenta, dá Vida, – e Vida com abundância!

Que todos nós possamos seguir a Deus livres das amarras da “igreja/religião”!

 

(Texto produzido por aluno da EBD – Ministério de Educação Cristã – Projeto Mecriativo)

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